[5.8.06]

[Intermission]


Sabe quando você assiste a um filme antigo e longo em DVD - como Doutor Jivago, A Noviça Rebelde ou Minha Bela Dama - e, com cerca de uma hora de exibição aparece uma tela escrita "intermission" com a música tema ao fundo? É um intervalo de cerca de dois minutos para que o espectador possa descansar os olhos, fazer uma pipoca ou esticar as pernas. Pois bem, esse espaço na internet também entrará em intervalo, só que por um tempo impreciso. Podem ficar tranqüilos, não estou abandonando o blog. Apenas ficarei longe de casa mais de uma semana, milhas e milhas distante do meu amor e de um computador com acesso a internet, resolvendo a minha vida. Portanto, não estranhem a ausência de posts novos, a falta de comentários nos seus blogs, o meu desaparecimento do Fórum ou a demora para responder e-mails ou recados no Orkut. Espero estar de volta em breve.

Ah, esse intermission tem como música de fundo Walk Away, do Franz Ferdinand.


Por Lady Sith às [21:51]

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[As Odisséias de uma turista]

Durante uma das minhas visitas diárias ao Garotas esta semana, li um texto com o qual qualquer pessoas que já tenha viajado nessa vida consegue se identificar. Ele aborda as roubadas em que os turistas se metem durante as viagens. Isso mesmo, nem tudo são flores na vida de um viajante. Na ânsia de aproveitar melhor o tempo e conhecer cada milímetro do destino escolhido, muitos se vêem envolvidos em verdadeiros programas de índio. Parece que Murphy está sempre trabalhando para dificultar a vida dos turistas. Essas frias podem parecer engrançadas e render boas histórias meses depois de terem acontecido, mas na hora bate aquele desespero e você só consegue pensar "como eu fui me meter nessa roubada?".

Este texto me fez lembrar os dois meses que eu passei em Portugal. A equação pouco dinheiro + vontade de conhecer tudo + falta de planejamento = fria na certa foi uma constante durante a minha viagem. Mesmo quando tudo tinha sido bem planejado, algo tinha que dar errado. O engraçado é que mesmo quando um determinado passeio parece ter sido um verdadeiro desastre, eu consigo ter saudades daqueles momentos e juro que faria tudo de novo. E não mudaria nada. Recapitulando esta viagem, separei um Top 5 Roubadas em Terras Portuguesas:

A missão: visitar o Parque Arqueológico de Foz Côa.
A Odisséia: não tinha como dar errado: o passeio foi organizado pela faculdade onde eu estava estagiando como parte de um programa de férias oferecido aos filhos dos professores. O único problema é que Foz Côa é o local mais quente de Portugal, no dia do passeio ele parecia a sucursal do inferno (um calor escaldante, rio seco e plantas queimadas), eu estava responsável por um grupo de sete crianças mais brancas do que leite que não haviam levado boné ou protetor solar e estavam passando mal de tanto calor. E não restava uma gota d'água na garrafa.
O resultado: uma visita que deveria durar meia hora, mas foi abortada em menos de dez minutos, cuidar para que as crianças se reidratassem e ter de beber água da torneira do banheiro para não ficar com sede. Mas tudo isso foi recompensado pela vista daquela paisagem linda e pela sensção de estar pisando em um lugar impregnado de História.

A missão: passar o fim de semana em Leiria.
A Odisséia: minha colega de viagem é amiga de um casal que nos abrigou na cidade de Leiria. Eles nos pegariam em Seia (cidade onde a minha colega estava hospedada e que fica há cerca de três horas de Leiria) e nos levariam até lá. Dentro de um bom carro em uma auto-estrada bem conservada não tinha como ter problemas, certo? Errado. Em determinado momento a correia do carro partiu, o motor atingiu 120° e nós ficamos esperando o Socorro Mecânico em uma estrada escura e deserta.
O resultado: uma espera de três horas passando frio e fome (nisso é que dá só viajar com o almoço no estômago). Tudo perfeitamente recompensado por um fim de semana repleto de mordomias - com direito a um "momento diva" tomando banho em uma jacuzzi em um banheiro que é duas vezes o tamanho do meu quarto - a primeira visita a um castelo e a estréia em praias portuguesas.

A missão: passar o fim de semana em Salamanca (Espanha).
A Odisséia: a minha companheira de viagem tem um amigo que estudava em Salamanca e nos daria abrigo. Ela deveria entrar em contato com ele para marcar o final de semana em que iríamos e me avisar para que eu pudesse comprar as passagens de ônibus (que deveriam ser adquiridas com dois dias de antecedência). Depois de uma semana sem dar notícias (estávamos hospedadas em cidades diferentes), ela me liga em uma quinta-feira a tarde e diz "estou indo praí amanhã de manhã para a gente poder ir para Salamanca". Ok, mas como poderíamos ir sem passagens? A solução foi oferecida por uma amiga, que sugeriu que entrássemos no ônibus de penetras e tentássemos comprar uma passagem quando ele parasse em alguma cidade espanhola. Realmente, uma idéia magnífica: entrar de gaiata em um ônibus, sem passaporte, sem visto e correndo risco de ser parada na fronteira e confundida com integrantes de um esquema de tráfico internacional de mulheres. Idéia abortada. Resolvamos então fazer um caminho bem simples: pegamos um trem até Vilar Formoso (cidade que fica na fronteira), atravessamos a fronteira a pé, chegamos no lado espanhol (Fuentes del Oñoro) pegamos um táxi até Ciudad Rodrigo e de lá um ônibus até Salamanca. Simples mesmo, não?
O resultado: gastamos mais dinheiro do que se tivéssemos feito o trajeto normal, tivemos que enfrentar a mesma maratona na volta para casa, ficamos hospedadas na casa de baladeiros profissionais que não estavam nem um pouco interessados em visitar pontos turísticos e dormimos um total de seis horas durante todo o fim de semana. Tudo isso devidamente compensado por ter conhecido pessoas interessantes, pelas baladas divertidas e pela oportunidade de conhecer uma cidade linda e de se sentir uma perfeita turista por finalmente estar em um lugar com costumes e língua diferentes dos seus.

A missão: conhecer a Cidade do Porto em 24 horas.
A Odisséia: três horas de ônibus, mais de 12 horas andando com a mochila nas costas, subir 193 degraus para apreciar a vista do ponto mais alto da cidade, mais de uma hora e meia de espera passando um frio de menos de 10° (sem agasalhos) para poder assistir a um show gratuito do Black Eyed Peas, ir dormir na casa de um garoto que conhecia há menos de dois dias, enfrentar mais meia hora de ônibus e 40 minutos de caminhada até o esconderi... a casa dele, encontrar três lobos (!!!) no meio da rua, dormir sem poder tomar um banho e descansar apenas três horas depois de um dia especialmente exaustivo.
O resultado: um corpo implorando por descanso e banho e uma gripe. Isso não foi nada perto da emoção de estar na cidade onde estava acontecendo a abertura da Eurocopa e testemunhar a comunhão de vários povos diferentes e da oportunidade de conhecer o lugar com um guia particular e apaixonado pelo Porto, que nos mostrou cada pedacinho da cidade que eu considero o lugar mais bonito em que já estive.

A missão: conhecer a Vila de Belmonte (onde nasceu Pedro Álvares Cabral).
A Odisséia: esse passeio foi milimetricamente planejado. Estudei o melhor dia, comprei água e comida para levar na mochila, consultei o horário dos trens, calculei o dinheiro necessário, enfim, tinha tudo para não me meter em roubada ou encarar uma aventura inesperada. Mas como todos os meus passeios tiveram uma parte programa de índio, (in)felizmente a Caminhos de Ferro Portugueses estava lá para dar a sua contribuição. No dia escolhido, eu fui cedo para a estação de trem, comprei minha passagem e embarquei em segurança para Belmonte. Chegando na estação de Belmonte uma única pergunta veio à minha cabeça: "em que lugar eu vim me meter?". Essa questão explica-se: a estação estava vazia e toda fechada, com exceção da porta que dava para a rua. Esta não estava em uma situação melhor, com apenas um senhor e um pirralho andando por lá. Além disso, não se via castelo, igreja, estátua ou túmulo de Cabral. Sem a mínima idéia de para onde ir, resolvi parar o senhor e perguntar:

Eu: Onde fica o posto de turismo?
Ele: Ah, aqui não tem, não. O posto de turismo fica em Belmonte.
Eu: Mas aqui não é Belmonte?
Ele: É, mas o centro histórico da cidade fica a uns 4 ou 5 Km daqui.

Nesta hora a única coisa que me deu vontade de fazer foi xingar o engenheiro que planejou e construiu a ferrovia. Como alguém pode ser tão estúpido a ponto de fazer um caminho de ferro a quatro quilômetros de uma cidade? Como não tinha mais o que fazer, lá fui eu andando (isso mesmo, andando) até o centro histórico por uma estrada completamente deserta debaixo de um sol de rachar o coco. Para completar, consegui me perder na volta (sempre escolho o caminho errado em uma bifurcação), vaguei durante longos minutos e acabei indo parar em um convento onde finalmente encontrei uma alma caridosa que me colocou no caminho correto.
O resultado: o pé coalhado de bolhas, a sensação de estar com poeira até na alma e dor de cabeça. Tudo isso compensado pelo prazer de conhecer um lugar novo sozinha, munida apenas de muita vontade e de um mapinha.

Se você me perguntarem, eu afirmo sem pestanejar que faria tudo de novo. E não mudaria nada.

Photobucket - Video and Image Hosting

Este lugar vale qualquer roubada



Por Lady Sith às [01:14]

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[3.8.06]

[Azul da cor do mar]


Sejam bem vindos ao novíssimo Mundo Azul. Ele antes era sem graça com aquele layout padrão do Blogger, mas agora está essa belezura de tons de azul em formato de caixinha de lápis de cor. Tenho que agradecer à minha amiga, que além de ser minha alma gêmea talentosa e criativa e a melhor redatora que eu conheço, ainda faz templates como ninguém. Nana, obrigada por ter feito a nova cara do meu espaço. :)


Por Lady Sith às [18:11]

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