[28.11.05]

[Minha caixinha de lembranças]


Eu tenho uma caixinha de lembranças, tal qual a encontrada pela Amélie Poulain. Ok, não é tão pequena e nem é feita de madeira, mas também guarda alguns objetos que podem parecer estranhos para quem olha de fora. Afinal, o que têm em comum uns adesivos meio bregas, cartas escritas em papéis amassados com a letra garranchada, recortes em forma de coração e uma palheta de violão bastante vagabunda? Eu respondo: são todos lembranças de pessoas ou momentos que marcaram a minha vida. Esse texto é dedicado a alguns dos itens mais interessantes que habtam a minha caixinha de lembranças e porquê eles mereceram esse lugar:

Muitos outros objetos (e as respectivas recordações associadas a eles) habitam minha caixinha. Não falo de todos porque não quero ocupar muito do tempo dos meus poucos leitores. Mas nem em milhões de linhas mal redigidas eu conseguiria mostrar porque eles são tão importantes.



Por Lady Sith às [17:11]

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[24.11.05]

[Não, ainda não é Natal!]


Você está em casa, esparramado tranqüilamente no sofá, assistindo televisão. De repente entra um comercial com um homem berrando (segundo a tradição das Casas Bahia, comercial bom é aquele em que o garoto-propaganda se esgoela e mostra tantos produtos e preços ao mesmo tempo que o telespectador é incapaz de memorizar qualquer um deles) "já é Natal!! Venha aproveitar as promoções da Tralalá...". Você levanta com um pulo, pensando: "Nossa, como o tempo passou rápido! Já é Natal! Esses meses voaram, chega a dar a impressão de que semana passada mesmo ainda era Dia das Crianças...". Você pensa um pouco e, repentinamente, percebe: "Mas semana passada FOI Dia das Crianças!!". Eis que começa uma propaganda com um garotinho fofo indo comprar o presente da mamãe em uma perfumaria. Você entra em desespero: "Será que enlouqueci? Será que estava em coma e não percebi? Será que minha personalidade Tyler Durden tomou conta?".

Então, você sai de casa procurando sinais que comprovem que você não está louco e nem virou esquizofrênico. Entra em um shopping. No hall central vê tapumes brancos. "É uma reforma", você pensa. Então, para seu absoluto terror, percebe a ponta de um pinheiro enfeitado. Olha para um lado e vê luzinhas piscando nas vitrines. Olha para o outro e vê um senhor sorridente, de barba branca e com uma roupa de veludo vermelha. Você sai correndo atrás de um calendário. Encontra um e checa a data: 20 de Outubro, uma semana depois do Dia das Crianças. Como é possível o mundo já estar todo preparado para o Natal?

Vocês já perceberam como, a cada ano, o Natal chega mais cedo? Em alguns lugares, o início foi em 1° de Novembro. Outros resolveram não apelar tanto e aguardaram até o meio do mês. Acho que esse pessoal está perdendo a noção das coisas. Sei que eles têm que vender, sei que a época de final de ano é a melhor para aumentar o faturamento. Mas daí a nos alugar com musiquinhas natalinas - já tive o "prazer" de trabalhar em shopping nessa época e, depois de quatro horas ouvindo as malditas músicas, a única coisa que você deseja é ter um revólver a mão para poder dar um tiro na cabeça -, enfeites espalhados por todos os lados, decorações com milhões daquelas lâmpadas pisca-pisca (o pobre incauto que olhar para elas por muito tempo corre o risco de sofrer um ataque epilético) e propagandas gritando "compre, compre, já é Natal!" é demais. Natal é dia 25 de Dezembro!

E isso não acontece apenas com o Natal. Dia 1° de Janeiro, quando ainda nos recuperamos da ressaca da virada de ano, o carnaval já está sendo anunciado. Na quarta-feira de cinzas ao meio-dia, os supermercados já exibem ovos de Páscoa. Os coelhinhos mal se depediram, e nós já somos obrigados a conviver com os corações do Dia das Mães... E, assim, nossa vida vai sendo regida pela eterna preparação e espera por uma data festiva que nunca é realmente aproveitada (afinal, temos que nos enfeitar e comprar coisas para a próxima).

Abro um site e um pop-up explode na minha cara "não se atrase, faça agora mesmo suas compras de Natal através do nosso site". Tenho ganas de gritar: "ainda não é Natal!!! Deixem-me em paz!".

* Tema sugerido por Rafael. Espero que tenha gostado ;).


Por Lady Sith às [14:42]

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[23.11.05]

[Grandes Mistérios da Humanidade]


Fala a verdade, quando você (isso memso, leitor, você) viu esse título pensou que iria ler um texto muito bem elaborado tratando de alguma questão complexa e inquietante. Sinto informar que você está enganado. O post de hoje tem como único propósito divulgar e, quem sabe, receber algumas sugestões de resposta para uma das grandes dúvidas que povoa a cabeça desta humilde escriba: o que, afinal de contas, faz o matemático Osvald de Souza?

"Quem???", você deve ter se perguntado. Eu esclareço: o matemático Osvald de Souza (não estranhem a repetição da profissão do dito cujo, mas ele só é tratado dessa forma por todos os meios de comunicação. Acho que ele já incorporou o "matemático" ao nome, que nem o Lula) é aquela criatura que faz as previsões esportivas e lotéricas para a Globo. Pode ligar em qualquer noticiário esportivo que você vai ver um apresentador falando algo do tipo: "segundo o matemático (não disse?) Osvald de Souza, o Corinthians tem 89% de chance de levar o título brasileiro". O Mate (resolvi dar um apelido carinhoso) também é muito solicitado em época de Copa do Mundo, Olimpíadas, campeonatos estaduais de futebol e na final do torneio de dominó de Chã de Alegria. É batata, é só ter algum evento esportivo que lá está o Mate fazendo seus cálculos e previsões.

Isso é o que me leva a perguntar: será que o matemático Osvald de Sousa faz outra coisa além de calcular probabilidades esportivas? Se não, o que leva uma pessoa, ou melhor, um matemático, a dedicar toda sua vida a prever questões tão imprevisíveis e tão descartáveis? Será que o matemático Osvald de Souza é o único matemático do Brasil? Ou será que só ele tem tempo livre para fazer tal trabalho?

Oh, céus!! Que dúvida cruel!


Por Lady Sith às [16:59]

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[21.11.05]

[Vinícius]


Ontem fui ao cinema assistir Vinícius, documentário sobre Vinícius de Moraes. Sinto-me na obrigação de recomendar o filme para os que ainda não assistiram. A vida de Vinícius foi das mais interessantes, o filme tem ótimos números musicais (como não poderia deixar de ser) e momentos engraçados.

Gostei de conhecer Vinícius, um diplomata e poeta sisudo que começou a entrar em contato com a simplicidade do povo e decidiu abraçar de vez a vida simples e a poesia popular. Um homem com ânsia de viver, criar e amar, que não relutava em abandonar tudo e abraçar novos projetos (e amores) quando os atuais não mais o satisfaziam. Uma pessoa intensa, que percorria os extremos da alegria à tristeza com imensa facilidade, mas preferia ser alegre do que ser triste e transmitia sua fome de viver através de suas músicas e poesias. Um boêmio que estava sempre com um copo de whisk na mão e as portas de casa sempre abertas para receber os amigos. O criador da bossa-nova e de letras e poemas belíssimos, o popular "poetinha".

É duro ver que, em um país que teve Vinícius e Tom Jobim, o mau gosto agora impera (como diria um menino que eu conheço ;)). É duro pensar que, por mais que me esforce, nunca conseguirei escrever algo que chegue perto do que foi escrito por Vinícius de Moraes...

Chega de Saudade

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...


Veja o filme, ouça os discos e leia os livros



Por Lady Sith às [12:30]

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[19.11.05]

[A difícil arte de ouvir]


Não é querendo me gabar, mas sou uma pessoa que sabe ouvir. E eu digo ouvir de verdade, não apenas escutar. Presto atenção, absorvo e analiso cada palavra do que me está sendo dito, percebo se a pessoa precisa de um conselho ou quer, simplesmente, desabafar. Acho que é por isso que fico tão angustiada quando não me ouvem. Pessoas que sabem ouvir estão cada vez mais difíceis de se encontrar. Acho que isso acontece porque estamos cada vez mais envolvidos e preocupados com os nossos problemas, portanto não temos lá muito tempo a perder com os dos outros.

Não vou dizer que sei ouvir sempre. Também tenho os meus momentos "estou de saco cheio" ou "também tenho problemas". Mas eles não são dominantes, como geralmente ocorre com a maioria. Para alguém que sabe ouvir (e que também é extremamente reservada), não há nada pior do que querer falar algo que lhe aflige e receber de volta um "também estou passando pela mesma coisa. Ontem mesmo eu estava conversando com fulaninha que blá, blá, blá". Sem querer ofender, mas não me importa se você sente o mesmo ou não (pelo menos, não no MEU momento de desabafar). Eu só queria ser ouvida um pouco, às vezes variar de posição em uma conversa pode ser bastante interessante.

O engraçado é que a maior parte das pessoas acha que sabe ouvir. Isso não é verdade. Conversar não é ouvir. Fazer várias perguntas, sem dar tempo para que o outro complete um raciocínio, não é ouvir. Balançar a cabeça com ar enfadado não é ouvir. Selecionar de uma conversa apenas aquilo que lhe interessa não é ouvir. Ouvir é algo mais profundo, é estar disposto a esquecer de você por um tempo e se concentrar no outro, é escutar tudo sem fazer julgamentos, é perceber o momento de intervir, de oferecer uma palavra de conforto ou um abraço ou de criticar. Ouvir é se colocar no lugar do outro, é deixar suas idéias pré-concebidas de lado.

"Quando as pessoas pensam que o pior está para acontecer com você, elas realmente te ouvem, ao invés de apenas esperar a sua vez de falar" (Edward Norton em Clube da Luta).


Por Lady Sith às [11:52]

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[17.11.05]

[É o quê?]

"É uma índia com colar/ A tarde linda que não quer se pôr/ Dançam as ilhas sobre o mar/ Sua cartilha tem o "a" de que cor ?".

Não sei vocês, mas eu adoro Nando Reis (acho que já deu para reparar). Mesmo sendo fã, não posso deixar de reconhecer que Relicário é uma das músicas mais sem pé nem cabeça que eu já escutei na vida. O conjunto de versos aí em cima, por exemplo, não faz sentido nenhum. Sem contar que são necessárias umas mil audições até qualquer pobre coitado conseguir entender que a primeira frase é "é uma índia com colar". No entanto, nem mil séculos serão suficientes para a mesma pessoa entender o que a danada da índia tem a ver com a tarde linda que não acaba e com a ilhas que dançam sobre o mar. Posso falar sinceramente? Os versos "o que você está dizendo?/ milhões de frases sem nenhuma cor" seriam mais reais se fossem "milhões de frases sem nenhum sentido".

E o quê dizer de Luiza do Chico Buarque? É belíssima, sem sombra de dúvida e ele é um gênio (pô, o cara consegui encaixar "paralelepípedo" em uma música!), mas precisa começar dessa forma: "Rua,/ Espada nua/ Boia no céu imensa e amarela/ Tão redonda a lua/ Como flutua"? Ok, é muito musical, tem um ritmo maravilhoso e a sonoridade da rima rua-nua-lua-flutua é qualquer coisa de espetacular. Mas os dois primeiros versos só servem para dar uma sonoridade bonita mesmo, pois o sentido passa longe.

Não tem como falar sobre música sem sentido sem tocar no clássico Djavan e sua composição Açaí. Ela já foi achincalhada, já foi tema de reportagem em que acusavam o compositor de ser o maior enganador da MPB, já foi dissecada e esculhambada em diversos meios. A razão de tanta revolta é que, lá pelas tantas, o Djavan entoa um "Açaí, guardiã/ Zum de besouro, um imã/ Branca é a tez da manhã". Como assim? Não consigo nem desenvolver teorias sobre este refrão, é muito complexo para a minha cabecinha e meus poucos neurônios. Só me resta reconhecer que tio Djavan é muito mais esperto que eu.

Para não dizer que estou perseguindo músicos brasileiros, encerro com a pérola do Nirvana em Smells Like Teen Spirit: "A mulato, an albino, a mosquito/ My libido/ Yeah". Acho que não precisa de tradução, pelo menos do inglês para o português. Entretanto, certamente seria necessário que alguém traduzisse o que se passava pela cabeça do Sr. Cobain ao escrever uma coisa tão contundente. Acho que a sua libido estava um tanto exarcebada e ele resolveu declarar seu desejo por mulatos e albinos. Agora não me pergunte o que o mosquito está fazendo no meio das esquisitas preferências sexuais do Kurt (eu até ia fazer uma piadinha, mas ela é muito infame e deveras baixo nível :D). E ele ainda grita um "Yeah" no final, para deixar bem claro o seu ponto de vista. Mas qual seria ele, mesmo?


Yeah!! Yeah o quê mesmo?



Por Lady Sith às [21:40]

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[16.11.05]

[A vida "inha"]


Se tem uma coisa que me deixa indignada é pessoas que se conformam em levar uma vida "inha", ou seja, ter sua casINHA, seu empreguINHO, um carrINHO, ganhar um dinheirINHO no final do mês e juntar para fazer uma viagenzINHA durante as férias, de preferência acompanhado da esposINHA (ou maridINHO). Não que tenha alguma coisa errada em desejar estabilidade e uma vida tranqüila, muito pelo contrário. Mas desejar uma vidINHA também não é lá muito bom.

Tenho a impressão de que na vidINHA falta paixão, realização de sonhos, desejar uma coisa e se esforçar para conseguir. Parece que na vidINHA não há capacidade de se encantar diariamente pela pessoa que se ama (ou mesmo a capacidade de se amar tanto alguém). Não há a vontade de se fazer coisas diferentes, de ter mais do que um emprego de 9:00 às 18:00, de ter uma profissão que o realize (aquela que dá dinheiro já está boa), de construir ou criar algo. Não há o desejo de reunir as pessoas de quem se gosta, de fazer uma viagem inesquecível (mesmo que seja para uma cidade a 20 Km da sua), de viver cada dia de forma diferente, de beijar seu amor como se fosse a primeira vez... É possível conseguir todas essas coisas e ter estabilidade, desde que você não deixe que ela se transforme numa vidINHA. Por isso, eu fujo deseperadamente da vida "inha". Espero que ela nunca me alcance.

Por isso também que eu admiro tanto meus amigos que têm aquela ânsia de viver, que ousam não se acomodar e procurar novos rumos, que são realizados com a profissão que escolheram. Cada atitude, cada sonho que eles dividem comigo me fazem gostar ainda mais deles. Espero que eles consigam resistir às dificuldades e não se deixem abater. Desejo muita sorte e sucesso a todos.

* Pedro, parabéns pela atitude!


Por Lady Sith às [14:25]

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[12.11.05]

[Morfina na veia]


Todo nerd que se preza tem que ter uma banda de estimação. A banda de estimação é aquela que você descobriu por acaso, cujo som é classificado como "rock alternativo" ou uma suruba de ritmos do tipo "samba-funk-eletro-bossa nova", que poucas pessoas conhecem (e os que já ouviram falar nela geralmente também são nerds) e quase ninguém gosta ao ouvir pela primeira vez (às vezes continua sem gostar ao ouvir pela segunda, terceira...). Como nerd orgulhosa que sou, também tenho minha banda de estimação e ela se chama Morphine.

Conheci o Morphine por acaso (vejam só que surpreendente) em uma ShowBizz. Havia uma votação dos críticos para eleger os melhores do ano 2000 e lá, em meio às letrinhas pequenas dos preferidos de um crítico estava escrito "melhor música: The Night - Morphine". Gostei do nome da banda, resolvi baixar a música para ver do que se tratava. Ela já começava com um sax, um som forte de baixo e sem guitarra (onde já se viu banda de rock alternativo sem guitarra?). De repente entra aquela voz sussurrada e incrível cantando "you´re the night, Lilah". Adorei. Fiquei com inveja da tal da Lilah que ganhou uma música tão bonita (eita mulher sortuda!). E resolvi baixar outra (Like a Mirror). Gostei mais ainda. Aí resolvi sair de casa e ir logo comprar o disco. Isso mesmo, comprei o disco conhecendo só duas músicas. Começou assim, hoje já tenho a minha pequena coleção de cd´s do Morphine.

Outra coisa que todo grupo de nerd tem é uma história curiosa sobre o seu começo e/ou fim - o fim deve conter algum dos seguintes elementos básicos: brigas homéricas, envolvimento com drogas, morte de integrante(s). O Morphine começou normalmente em 1990 e sendo muito tocado nas rádios universitárias americanas. E acabou (infelizmente) em 1999 com a morte (não disse que era elemento básico?) do seu líder, Mark Sandman. O Mark teve um ataque cardíaco no palco, durante um show em Roma.

Mas eu não gosto do Morphine por causa da história ou porque isso me faz ser mais nerd. É por causa da música mesmo, do ritmo, do sax, da voz e das letras do Mark Sandman. Fico pensando como alguém pode escrever algo tão bem sacado como "algum dia haverá a cura para dor. Esse será o dia em que jogarei minhas drogas fora" (Cure for Pain). Ou tão premonitório como "deixe seu mundo e venha para mim. Estou mais próximo de você do que pareço estar" (Like a Mirror, música do último cd). Ou tão foda-se como "essa cidade nunca te deu nada em troca, apenas boatos e ataques sussurados. Essa cidade não é sua amiga, não se importe com as coisas que deixa para trás" (Take me With You). Ou tão beleza não é fundamental como "sua inteligência é sexy" (You Look Like Rain). Ou tão doce como "Candy me perguntou se eu conseguiria viver depois que ela morresse. Claro que eu disse que não conseguiria, mas é claro que sabíamos que não era verdade. Mas Candy, eu disse Candy, você não pode fazer isso comigo. Porque você me ama demais para um dia me deixar" (Candy). Mark Sandman era ótimo. Morphine era ótimo. E essa Candy era uma sortuda!

Pense numa droga boa!



Por Lady Sith às [12:45]

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[11.11.05]

[Acabou]


A sensação de coisas acabando costuma me deixar muito triste. Seja a aproximação do dia de voltar de uma viagem marcante, a despedida de um amigo - deixando mais claro que a faculdade está terminando e que não verei mais aquele pessoal todos os dias -, o revéillon na praia - deixei de aproveitar tanto tempo ao lado das pessoas de quem gosto - ou, simplesmente, voltar para casa depois de um dia maravilhoso ao lado de um não menos maravilhoso rapaz ;).

Mas hoje acabou e, estranhamente, não fiquei nem um pouco triste. Muito pelo contrário, me senti bastante feliz. O que foi que acabou? Meu estágio, foi isso. Pela primeira vez não tive a sensação de perda, de algo que foi embora e que eu não aproveitei, nem uma grande saudade. Senti alívio. É uma parte do meu dia que deixará de ser ocupada, estava precisando muito disso. É um tempo que eu poderei tirar para dormir, ler um bom livro, assistir televisão, estudar, caminhar na praia, conversar com amigos, ir ao cinema, enfim, viver um pouco fora da rotina faculdade-estágio.

Quem ler isso pode até pensar que eu não gostava do meu estágio, mas não é verdade. Gostava demais, aprendi bastante, conheci pessoas interessantes que me ensinaram muito, fui bem alimentada (haja coffe-break e festa de aniversário!!), tive a oportunidade de viajar para lugares que não conhecia, visitar usinas hidro elétricas... Mas acabou e eu não estou triste. Lembrarei sempre das coisas boas, já me esqueci das más. Agora é seguir em frente, entrar em uma nova etapa. Estou ansiosa.

Agora deixo vocês com uma letra do Nando: "É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer/ É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual/ Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo/ É bom e é tão diferente".


Por Lady Sith às [21:01]

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[9.11.05]

[Ah, a solidariedade humana]


Recife, 25 de Outubro de 2005
Local: consultório médico lotado.

Lá estou eu me escondendo atrás de uma revista, tentando fugir dos terríveis puxadores de conversa, que têm em consultórios e filas de banco o seu habtat natural. Eis que escuto uma colocação que me chama a atenção: "Eu desligo os telefones quando vou dormir. Depois que eu, meu marido e meu filho estamos em casa, não gosto de ser incomodada. Um dia minha tia ligou de madrugada para avisar que o meu tio morreu. Não sei pra quê ligar para alguém numa situação dessas. Ninguém vai poder fazer nada, o certo é esperar até de manhã, pelo menos não atrapalha o sono dos outros.".

Sinceramente, eu fiquei chocada. Nunca tive a infelicidade de perder um parente próximo ou um amigo. Mas quando isso acontecer, tenho certeza que ficarei angustiada e procurarei alguém para me consolar e me dar apoio, não importa quão tarde seja. Imagino que foi isso que aconteceu com a tia dessa senhora. O marido (ou irmão) morreu, ela ficou desolada e foi em busca de alguém que pudesse lhe dar algum conforto. Mal imagina o quanto deve ter sido xingada por ter atrapalhado o precioso sono da sobrinha.

Agora eu imagino qual seria a reação dessa mulher se um dia, depois que estivessem em casa ela, o marido e o filho, acontecesse alguma tragédia. Vamos imaginar que ela acorde de madrugada por uma razão qualquer e encontra os corpos dos dois na sala (bate na madeira! Espero que isso não aconteça). Qual seria a reação dela? Será que (a) voltaria para a cama e deixaria para resolver essa situação depois (afinal, ela tem que descansar), (b) ligaria para o 190 e ficaria esperando sozinha ou (c) ligaria para algum familiar ou amigo que pudesse lhe confortar e fazer companhia? Eu voto na última opção. Ou talvez eu esteja enganada e ela prefira dormir, mesmo.

É por essas e outras que às vezes a solidariedade humana me comove...


Por Lady Sith às [13:30]

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[8.11.05]

[Desculpe, não sou a Gisele Bündchen]

Rubens Ewald Filho é considerado o maior crítico de cinema do Brasil. Eu sinceramente não consigo entender porquê. Ok, ele tem uma excelente memória cinematográfica e, provavelmente, já assistiu a mais filmes que toda a população brasileira somada. Mas nada é capaz de me fazer esquecer dois comentários extremamente infelizes que esse senhor foi capaz de proferir (e que não estavam relacionados, em absoluto, a sua função de crítico).

Eu não lembro de nenhum deles palavra por palavra, mas na essência eram mais ou menos assim:
Sobre Lázaro Ramos em O Homem que Copiava (filme que eu adoro e recomendo): Não acredito que um negro feio como aquele teria amigos e não sofreria nenhum preconceito em uma cidade como Porto Alegre.
Sobre Adrien Brody em O Pianista: Duro é um filme ter um galã com essa cara.

Vejam bem, ele não estava analisando as atuações dos dois, nem falando sobre o seu talento (ou falta de). Não, o Rubinho se achou no direito de criticar os outros porque eles são feios. Tá bom, não vou dar uma de politicamente correta e dizer que eu não tiro onda de pessoas feias. Sim, eu digo que tenho medo do Ronaldinho Gaúcho e que o Marcos Palmeira é orelhudo. Mas é diferente falar isso de brincadeira com os seus amigos e ser um formador de opinião e falar isso seriamente, e em um tom extremamente preconceituoso, para um grupo de pessoas altamente influenciáveis. Eu reconheço que o Adrien Brody é feio, mas isso não desqualifica o maravilhoso trabalho que ele fez em O Pianista. E sim, eu acho perfeitamente possível o Lázaro Ramos (um negro bonito, talentoso e divertido) ter amigos e despertar paixões.

Estamos dando valor a coisas descartáveis: aos cabelos loiros, lisos e sedosos, aos 50 Kg em 1,80 m de altura e aos olhos azuis. Foi estabelecido um padrão inatingível e milhares de infelizes se desgastam perseguindo-o. A pobre coitada percebe que seu olho esquerdo está 2 mm mais baixo que o direito e vai logo procurar um cirurgião plástico. Quem tem pequenas imperfeições não pode ter amigos, nunca será popular e nem terá um grande amor. Pequenos defeitos alheios são razão de chacota. Só podem ser felizes aqueles que são clones de um Tom Cruise ou de uma Jessica Alba.

Parece que o desejo geral é de que o mundo se transforme em uma fábrica de Gisele Bündchens. Eu, particularmente, acho isso tudo uma grande bobagem. Já vi garotas muito mais bonitas que ela andando pela rua. E bonitas ao natural, pegando um ônibus lotado às sete horas da manhã e sem um pingo de maquiagem. E conheço outras pessoas que podem até não ser modelos de beleza, mas que são simpáticas, capazes de manter uma conversa interessante, têm um senso de humor esperto e uma risada gostosa. E isso faz delas, aos meus olhos, muito mais bonitas do que qualquer grande estrela de Hollywood.

É por isso que digo: desculpe, não sou a Gisele Bündchen. Será que ainda assim tenho o direito de ser feliz? Será que os outros ainda serão capazes de gostar de mim?


Conheço garotas que dão de 1000X0 nela



Por Lady Sith às [13:41]

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[5.11.05]

[Luz dos Olhos]


Ponho o meus olhos em você, sem você estar
Dona dos meus olhos é você, avião no ar
Um dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar
Liga o rádio à pilha, a TV só pra você escutar
A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora

Os meus olhos vibram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever a tua boca em mim

Que a nossa música eu fiz agora, lá fora a lua irradia a glória
E eu te chamo, eu te peço vem
Diga que você me quer, porque eu te quero também

Passo as tardes lembrando
Faço as pazes tentando te telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando, eu te espero vem
Siga aonde vão meus pés, que eu te sigo também
Porque eu te amo e eu berro vem
Grita que você me quer, que eu vou gritar também


"Nandooooo! Toca Luz dos Olhos"



Por Lady Sith às [10:31]

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[4.11.05]

[Gosto e Desgosto]


Temos uma necessidade enorme de rotular as pessoas. Se conhecemos alguém que não é de falar muito, dizemos logo que é tímido - e, normalmente, essa impressão é desfeita com a convivência. Se vemos um garoto magro e que usa óculos, é nerd. Se a pessoa é muito exigente, temos que chamá-la de fresca. Se alguém não gosta de vomitar e gosta de desmaiar, é esquisito.

Então devo declarar que sou mesmo esquisita. Ok, alguns de vocês irão dizer que não há nada de estranho em não gostar de vomitar e que ninguém gosta de ver na privada o que comeu no almoço envolvido por um líquido marrom nojento e fedorento. O problema é que eu não consigo vomitar de forma nenhuma. Quer dizer, só quando estou (muito) doente. Sabe quando você se sente mal por ter comido ou bebido demais e alguém diz: "tenta vomitar, você se sentirá melhor"? Qualquer pessoa normal segue o conselho, enfia o dedo na goela tranqüilamente, vomita e passa o resto do dia melhor. Já eu ignoro, pergunto se a pessoa é doida e fico mal o dia inteiro. Eu tenho pavor de induzir o vômito. Acho que posso acabar gostando dessa história de vomitar para me sentir melhor e virar bulímica. E, se isso acontecer, tenho a certeza de que nunca mais irei melhorar, então é melhor não arriscar. "Não quis comer (ou beber), criatura? Agora agëunta!". É o que eu costumo me dizer nessas horas. Sem contar que ainda corro o risco de sentir a gosma chegando e tentar engolir (é nojento, eu sei, mas eu tentaria mesmo).

Já desmaiar é algo que eu adoro. Só tive essa felicidade umas cinco vezes em toda a minha vida. Que pena, pois é uma sensação muito boa. Você vai vendo tudo ao redor escurecer, o corpo vai ficando mole e você começa a cair bem lentamente. Aí fica lá ouvindo o desespero do povo em volta, completamente consciente de tudo o que está acontecendo, mas incapaz de fazer qualquer coisa. É quase uma experiência extra-corpo, só que sem a parte esquisita de se ver lá embaixo. Não sei porquê as pessoas fazem um escândalo tão grande ao ver alguém desmaiando. Deixa o pobre coitado! Ele só está sentindo uma paz bem grande, já, já ele acorda e fica tudo bem.

Será que existe alguma forma de induzir o desmaio? Eu adoraria descobrir... (Ah, podem me chamar de esquisita porque eu não dou a mínima. :p)


Por Lady Sith às [11:59]

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[3.11.05]

[Quem me dera ser um peixe]

Dizem por aí que tudo na vida tem um lado bom, menos disco do Fagner. Eu sinceramente não entendo porquê falam tão mal do pobre coitado. Tá bom, ele é fanho, tem músicas muito bregas e é um tanto grosso, mas não posso admitir que esculhambem alguém que compôs uma música que marcou minha infância.

Aliás, não só a minha. Em conversas bastante produtivas com alguns amigos, pude observar que vários deles, quando crianças, também adoravam essa música. Esse estranho fenômeno me fez pensar sobre quais seriam as razões para esta curiosa preferência. Porque não é lá muito comum umas 5 crianças diferentes terem gostado de uma mesma música que não fosse da Xuxa, dos Mamonas Assassinas, dos Trapalhões ou de outros astros infanto-juvenis. Bom, sei que agora vocês devem estar loucos de curiosidade para saber que danada de música é essa e já devem estar me xingando de vários nomes porque eu não digo logo. Ok, para acabar com todo esse suspense e angústia, eu digo: chama-se (segurem o riso) Borbulhas de Amor.

Minha mãe diz que a razão dos pivetes gostarem desta singela canção é a frase "Quem me dera ser um peixe", que é muito lúdica e infantil. Tá certo, é uma boa explicação. Mas só se considerarmos essa frase isoladamente, pois coisas como "saciar essa loucura dentro de ti" não têm nada de lúdico, muito menos de infantil. Eu diria até que não tem muito de discreto. Bom, eu não sei explicar (logo eu, a rainha das explicações) porque gostava dessa música, mas o fato é que eu gostava. E sabia cantar inteirinha. Para relembrar, aí vai a letra:

Borbulhas de Amor

Tenho um coração
Dividido entre a esperança e a razão
Tenho um coração
Bem melhor que não tivera
Esse coração
Não consegue se conter ao ouvir tua voz
Pobre coração
Sempre escravo da ternura

Refrão (para cantar em coro)
Quem dera ser um peixe
Para em teu límpido aquário mergulhar
Fazer borbulhas de amor pra te encantar
Passar a noite em claro, dentro de ti
Um peixe, para enfeitar de corais tua cintura
Fazer silhuetas de amor à luz
Da lua, saciar essa loucura
Dentro de ti

Canta coração
Que esta alma necessita de ilusão
Sonha coração
Não te enchas de amargura
Esse coração
Não consegue se conter ao ouvir tua voz
Pobre coração
Sempre escravo da ternura

Refrão (olha o coro)

Uma noite para unir-nos até o fim
Cara-cara beijo a beijo
E viver
Para sempre dentro de ti

Refrão (olha o peixinho de novo)


Quem também gostava de Borbulhas de Amor levanta a mão (ou melhor, deixe um comentário)!! Ou então simplesmente usem a criatividade para explicar o que ela tem que atrai tanto a pirralhada. Iria me ajudar muito ;).


"Você também gostava do Fagner?"



Por Lady Sith às [14:54]

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[1.11.05]

[Alguns remédios que dão alegria]

Em Todo Amor que Houver Nessa Vida, Cazuza dizia que queria a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida. Queria ser o pão e a comida do amado, queria todo o amor desta vida, além de algum remédio que desse alegria. Acho que ele estava falando de um Prozac ou coisa parecida, mas como eu não tenho vocação para garota propaganda de psicotrópicos, listo abaixo alguns remédio naturais que podem trazer alegria. Bom, peo menos para mim :):

  • Lavar o chão da cozinha (banheiro, varanda ou área de serviço) para ficar brincando de patinar no chão ensaboado;
  • Dormir com o barulho de chuva;
  • Ir à praia só para ficar sentindo o vento e ouvindo o barulho das ondas;
  • Comer chocolate;
  • Ter um dia maravilhoso e que saiu completamente diferente do planejado;
  • Ter um lugar preferido na cidade, passar na frente dele todos os dias e, ainda assim, ficar espantado em ver como ele é bonito;
  • Conversar com amigos;
  • Colocar sua música preferida bem alto (mas sem incomodar os vizinhos!) e cantar a plenos pulmões;
  • Finalmente comprar aquela coisa que você tanto queria, após ter passado um tempão juntando dinheiro;
  • Receber das pessoas de quem gosta um e-mail, mensagem no celular, recado no Orkut, telefonema ou comentário no blog;
  • Imitar comercial de vitamina C, ou seja, sair correndo em dupla debaixo da chuva protegendo as cabeças com um casaco;
  • Encontrar alguém que seja um grande companheiro e em quem você pode confiar sempre.
  • Tomar banho de chuva;
  • Aproveitar que está sozinho em casa e colocar aquela música que te faz dançar feito um doido (o Mundo Azul recomenda Hey Ya do Outkast);
  • Ir ao cinema e assistir ao filme tomando Ovomaltine do Bob`s;
  • Ter a sorte de um amor tranqüilo (Cazuza que o diga).


Por Lady Sith às [22:56]

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