[28.12.05]

[Para garotas]


Não há nada mais previsível no cinema do que comédias românticas, também conhecidas como "filmes para garotas". Como um filme de roteiro pouco criativo e cuja história já foi contada, com algumas poucas variações, centenas de vezes pode atrair tantos espectadores (leia-se: mulheres e casais)? Vai ver que a própria previsibilidade é um grande atrativo: nós ficamos tranqüilos, pois sabemos que, por mais que as coisas dêem errado, tudo vai acabar bem no final. Ou, talvez, porque elas sejam capazes de nos fazer acreditar que há mesmo um sapato velho para cada pé cansado ou que o amor pode estar onde você menos imagina. Bom, deixando o papo sacarose um pouco de lado, abaixo segue um passo a passo que qualquer comédia romântica que se preze deve seguir:


Por Lady Sith às [18:25]

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[15.12.05]

[Mau gosto]


Andar pela cidade pode ser uma fonte de diversão. Seja pelos nomes, slogans e marcas curiosas de alguns empreendimentos ou pelos cartazes colados por aí. O melhor que eu vi foi um afixado na frente do portão de uma casa: "você é cego ou idiota? Se não, pode perceber que isso é um portão de garagem, então não pare na frente!". Eu achei o máximo, de tão mal-humorado chega a ser engraçado. No entanto, nem só de coisas divertidas vivem as andanças pelas ruas da vida. Você também pode encontrar coisas de extremo mau gosto.

O que dizer de um espetinho chamado Churrasco Siamês e que tem como logomarca a foto de um gato? Engraçado? É, da primeira vez que eu vi também achei. Mas aí eu comecei a passar diante disso todo o dia e meu pensamento passou de "que grande sacada! Todo mundo fala que os espetinhos servidos nessas barracas são de gato e o cara se aproveitou disso para fazer uma brincadeira bem esperta" para "que coisa ridícula! Será que o dono desse treco não podia escolher um nome melhor e pintar logo essa porcaria?". A piada pode ser divertida quando é vista nas primeiras vezes, depois ela vai deixando de ser engraçada e se tornando uma coisa infame e de mau gosto.

Pior do que isso só uma lavanderia chamada A Lavadeira e que tem um pôster enorme de uma mulher coberta por um pano vermelho, com as pernas abertas e olhando languidamente para um amontoado de roupas no chão. É essa mulher que é a lavadeira? Se for, eu diria que ela é um tanto sem-vergonha, lembra mais um outro tipo de profissional. Se essa senhora viesse pedir emprego aqui em casa, eu colocava a talzinha pra correr (assim como faria qualquer outra mulher do mundo). Quem é que teve a estúpida idéia de utilizar essa imagem "sensual" para vender um serviço de lavanderia? Tá bom que as propagandas de cerveja nos ensinam que referências sexuais e mulheres em trajes mínimos vendem mais. Mas eu não acho que isso se aplica para qualquer caso.

Mas o que, para mim, é o auge do mau gosto surgiu nos muros recifenses na semana passada. Trata-se de um cartaz anunciando uma exposição chamada Inimigos. Nele aparece uma das "obras de arte" expostas. A tela em questão é um auto-retrato do "artista" apontando uma arma para a Rainha Elizabeth II. A exposição toda é formada por desenhos deste tipo. Segundo o "artista" é uma reclamação pessoal e política contra algumas personalidades poderosas de cujas idéias ele discorda. É uma forma de protesto. E ele atira (não no sentido figurado) para todos os lados: de Lula a FHC, do George W. Bush ao Kofi Annan, todos são vítimas de sua ira. Era para ser um protesto inteligente? Para mim, é apenas uma maneira estúpida e dispensável de mostrar sua revolta contra a situação que vivemos.

Era pra ser uma forma inteligente de protestar?



Por Lady Sith às [10:35]

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[13.12.05]

[Falta de noção, risadas e um feliz aniversário]


Minha mãe é sem noção. Querem um exemplo? Ok, certo dia, quando eu era mais nova, fomos chamadas ao correio para retirar uma caixa enviada pela Editora Abril. Achamos aquilo esquisito, não haviámos pedido nada, mas fomos mesmo assim. Minha mãe retirou o pacote na agência, voltou com ele para o carro e soltou a seguinte pérola "acho que é uma bomba!". Eu repliquei, do alto da minha sapiência infanto-juvenil, "como se alguém fosse se dar ao trabalho de mandar uma bomba pra gente". Ela abre o pacote, vê uma coisa com uma forma esquisita, grita "é uma bomba MESMO!!!" e joga o pacote em cima de mim (eu estava sentada no banco de trás do carro). Detalhe, o treco esquisito dentro do embrulho era um cachorro de pelúcia. Como é que alguém confunde um cachorro de pelúcia com uma bomba? E ainda joga o artefato explosivo no colo da filha ao invés de atirá-lo pela janela do carro? Só sendo muito sem noção mesmo...

É muito fácil fazer minha mãe rir. Ela adora trocadilhos infames e piadinhas ridículas. Falar algo como "os japoneses vão ter que estar de olhos bem abertos ao enfrentar o Brasil na Copa" é garantia de risadas. Ela também adora alguns quadros do Zorra Total (tenho até vergonha de escrever uma coisa dessas aqui. Acho que "adorar" e "Zorra Total" nunca deveriam compartilhar a mesma frase) e dá gargalhadas histéricas ao assistir as videocassetadas do Domingão do Faustão. Eu sempre achei o máximo quando minha mãe dizia que me achava engraçada. Mas ela também acha engraçada a mulher do "vem cá, te conheço?", então comecei a perceber que não é um elogio assim tão grande.

Minha mãe gosta de certas músicas horrorosas. Ela vive cantarolando Festa no Apê e seu último sonho de consumo é um CD do Jota Quest. Ao mesmo tempo, ela gosta de Nando Reis, Zeca Baleiro e Raul Seixas. Mas nunca cantarola música de nenhum deles, acho que ela prefere as coisas trash mesmo (para meu desespero). Minha mãe já assistiu ao Senhor dos Anéis umas 10 mil vezes. Basta não estar passando nada de interessante na tv que ela coloca A Sociedade do Anel no DVD. Mas nem se atreva a ocupar a televisão da sala quando estiver passando American Chopper (um programa da People & Arts sobre um pai e um filho que têm uma oficina de motos), ela não se perdoa se perde um episódio e fala de Paul Senior e Paul Junior como se fossem seus conhecidos. Esses detalhes só vêm reforçar a minha impressão de que ela é realmente sem noção.

Minha mãe não sabe fazer bolo (eles sempre ficam solados), mas sabe fazer pizzas divinamente. Ela adora dirigir cantando. Ela já se esqueceu de me pegar na escola quando eu era pequena. Ela tem o sonho de ir morar em Santa Catarina. Ela tem uma certa dificuldade em respeitar a privacidade alheia. Por que eu estou escrevendo tudo isso? É porque hoje é aniversário dela e eu queria dar os parabéns. Mas não adianta muito, pois ela não vai nem ler mesmo. Pensando bem, é até melhor. Possivelmente ela me daria a maior bronca se soubesse que eu tenho um blog...


Por Lady Sith às [17:00]

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[9.12.05]

[No ônibus nosso de cada dia]


Como não tive a sorte de nascer em família rica que pudesse pagar um motorista para me levar para qualquer lugar, ando de ônibus desde que me entendo por gente. E como não tenho competência para passar no teste do Detran e nem para arranjar marido rico, o jeito é me conformar com a minha sina de andar de ônibus para sempre. Devo admitir que não é assim tão ruim (não vou dizer que gosto porque aí já é forçar a barra): posso ir para qualquer lugar que quero e é relativamente barato e rápido. O que prejudica um pouco o transporte coletivo são alguns tipinhos que o utilizam:
  • Os falsos deficientes/idosos: Os idosos, os deficientes e as grávidas só têm oito lugares reservados antes da catraca. Os demais podem se servir de dezenas de cadeiras na parte de trás. Por isso eu não consigo entender o que leva uma pessoa a ocupar justamente o lugar reservado aos velhinhos (principalmente quando o resto do ônibus está vazio) e ainda se fazer de desentendido deixando os tadinhos em pé enquanto ela fica lá sentada no maior frosô.
  • A tia espaçosa: Você entra num ônibus com apenas um lugar vazio na janela. Quando chega lá, vê que ele, na verdade, está ocupado pela bolsa de uma tia que faz a maior cara feia quando você pede licença para sentar. Já que eu adoro ser má, sempre que possível ocupo o lugar da bolsa de uma tia. E tento ser o mais espaçosa possível para ela aprender a deixar de ser folgada. Se não quer ter ninguém sentado ao lado, compre um carro! Como o próprio nome diz, o transporte é coletivo, então essas senhoras têm que aprender a dividir o espaço com os outros. E antes que alguém pense que sou mal-educada, estou falando de uma bolsa normal, e não de várias sacolas de supermercado. Quando alguém está com compras, ocupar dois lugares é perfeitamente compreensível.
  • O pirralho chato: Você teve um dia horrível. Quando chega a noite, a única coisa que você quer é pegar seu ônibus tranqüilamente e chegar em casa sem que mais nada te aborreça. Pode ter certeza que Murphy trabalhará contra você e te fará pegar um ônibus com um moleque chato que é capaz de balir mais alto que uma ovelha. E você não saberá porquê o peste está gritando, só dá para identificar um "eu quero" entre um berro e outro. E a cidadã que se intitula mãe do garoto não faz nada para calar a boca daquela criatura das profundezas. Às vezes, para tornar a viagem alheia mais prazerosa, ela é capaz de se pôr a berrar mais alto que o pivete. Pode ter certeza de que, neste momento, Murphy estará em êxtase.
  • O inconveniente: Esse já teve uma menção em outro texto. Existe algo pior no ônibus do que aquelas pessoas que ocupam a porta de descida fazendo com que você tenha que se esfregar nelas para poder sair? Acho que quem faz isso deve ser um tarado que se excita ao ficar se roçando nos demais (e incautos) passageiros.
  • A cantora: Desde que a EMTU brindou os recifenses com ônibus com rádio minha vida se transformou. Passei a conhecer o fino da música brega e a ter mais distração nas minhas viagens. É batata, em todos os ônibus onde há música tocando tem uma mulher que sabe todas as letras e canta a plenos pulmões. E até músicas como Renata do Latino merecem interpretações emocionais, apaixonadas e desafinadas desses talentos desconhecidos.
  • O vendedor ambulante: A figura mais onipresente entre todas as citadas. Os vendedores encaram até ônibus lotado e vendem de tudo: lindas canetinhas, pipocão crocante doce ou salgado, jujubas deliciosas, cartões com declaração de amizade, entre outros. O mais legal é ver como as coisas são inflacionadas no universo dos ambulantes. Todos os produtos custam de R$ 2,00 a R$ 2,50 nas lojas, enquanto eles vendem por apenas 1 real. E você ouve aquele discurso rindo por dentro porque sabe que aquela caneta vagabunda (e nada bonita) custa no máximo uns 50 centavos. Mas eles não são assim tão maus. Afinal de contas, eles poderiam estar roubando, poderiam estar matando, mas estão apenas no ônibus vendendo aquela linda canetinha... :p


Por Lady Sith às [11:11]

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[3.12.05]

[Breath]


Oh, tonight began with anything
Shadows, a light, a warm breath and a scream, ah yeah
Oh, tamper if you like between the doors, oh yeah
Oh, can’t expect to go out ... to go out
With anything ... anything more
Oh, reach the door, a breath and a scr... oh reach the door
And a nada lada yeah
Life ain’t what it’s worth, a breath and a scr... oh, reach the door

All these reaching hands out grabbin’ things, grabbin’ me
Day in, day out, accumulating, ah yeah
Whoa, I suggest you step out on your porch
Oh yeah, huh, huh, huh, huh, yeah
Run away my son, to see it all ... oh, see the world
Oh reach the door, a breath and a scr... oh reach the door
Oh, and a nada lada yeah
Life ain’t what it’s worth, a breath and a scr... oh, reach the door

Come ... here it comes ... there it goes ... when it comes
Where it goes ... where it comes, can’t see through the faith
Oh, come ... here it goes, grasp what you can
Don’t you know there’s something inside your hand, yeah

Oh, if I knew where it was I would take you there
There’s much more then this, oh ... whoa, much more then this
Oh, see the world ... much more then, oh

Much more then ...Why?

* Amanhã uma grande amiga minha estará viajando bem cedinho para o Rio para assistir ao show do Pearl Jam. Preciso dizer que ela é super-fã? Esse post é só para desejar uma boa viagem e um ótimo show para ela. Nana, aproveite muito!


Eddie Vedder, toca Breath para Nana.



Por Lady Sith às [12:13]

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[1.12.05]

[Alguém]


Alguém que gosta de coisas simples. Alguém que senta na beira da praia esperando por aquele segundo em que não há nenhum carro passando para poder ouvir apenas o barulho das ondas. Alguém que admira a chuva caindo. Alguém que gosta de achar desenhos em nuvens ou no azulejo do banheiro, ao fechar o chuveiro. Alguém viciado em observar tudo e todos ao seu redor. Alguém que venera momentos de solidão, mas que é muito mais feliz quando está ao lado das pessoas de quem gosta.

Alguém que é igual a todo mundo, mas, ao mesmo tempo, muito diferente. Alguém que sente saudade das coisas que passaram e das pessoas que estão longe. Alguém que está ansioso por tudo o que está por vir. Alguém que defende as coisas nas quais acredita. Alguém que acha que pode mudar o mundo ou, pelo menos, acabar com algumas coisas erradas. Alguém que quer fazer a diferença e marcar a vida das pessoas, mas quer fazer isso tudo e ainda passar despercebido.

Alguém cansado de ser (ou, ao menos, tentar ser) perfeito. Alguém que quer ter o direito de não saber o que vai fazer. Alguém que quer experimentar e ousar ser diferente. Alguém que prefere a incerteza à estabilidade. Alguém que detesta que menosprezem o que ele faz. Alguém que não sabe (e não gosta de) receber elogios. Alguém que quer ser escutado sem ser interrompido. Alguém maníaco por controle, mas que se mete em grandes roubadas de vez em quando.

Alguém que se acha insensível, mas que é pior que manteiga derretida. Alguém que diz não gostar de crianças, mas que não consegue ver em nenhum outro lugar uma expressão de felicidade igual a que encontra no sorriso delas. Alguém que gosta de se fazer de bobo e desentendido. Alguém que fica alegre ao tomar sorvete ou comer chocolate. Alguém que gosta de ler, ouvir música e ir ao cinema. Alguém que gosta de andar por aí sem rumo. Alguém que achava forçado ouvir outro alguém dizendo estar com saudade uma pessoa que viu ontem, mas que agora vê que isso é perfeitamente possível. Alguém que pensou que nunca seria capaz de amar tanto outra pessoa.

Quem será esse alguém? Devo dar alguma dica?


Por Lady Sith às [21:18]

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