[29.1.06]

[Um dia comum, mas especial]


Ela diz que tudo começou quando ela, de pé no chão, despenteada, moleca e toda suja, me chamou para brincar. E eu, toda arrumadinha, de cabelo penteado e comportada, disse que não podia, pois iria sujar minha roupa. Eu não lembro disso, mas também não lembro de muitas coisas da minha infância. Não lembro como nos conhecemos, nem quando ela começou a fazer parte da minha vida, simplesmente tenho a impressão de que ela sempre esteve ao meu lado.

A primeira lembrança que eu tenho dela é que ela subia numa árvore na hora do recreio com a garota que, na época, era minha melhor amiga. E eu ficava lá me sentindo escanteada e morrendo de raiva porque era medrosa e não tinha coragem de subir na árvore com elas. Tinha ciúmes, achava que ela estava querendo roubar minha amiga. Mas então aquela garota foi embora e ela continuou no colégio me fazendo companhia nos recreios. E continua até hoje sendo minha amiga.

Será que foi aí que eu reparei que essa amizade iria durar para sempre? Taí outra coisa que eu não lembro. Pode ter sido nessa época, mas pode ter sido durante uma de nossas inúmeras e longas conversas. Ou quando almoçamos no shopping e fomos jogar no Game Station. Ou quando eu liguei para ela em um domingo e perguntei se poderia ir para a casa dela passar o tempo e ela disse "vem, pô". Ou quando ela sofreu uma grande perda e eu simplesmente sentei ao seu lado, sem dizer uma palavra, pois sentia que era aquilo que ela precisava no momento. Ou quando eu lia todas as cartas e cartões que ela me escreveu durante todos esses anos. Não sei, são tantos momentos que fica até difícil definir um em particular.

O que eu sei é que, por um longo tempo, pensei que ela era minha alma gêmea. Continuo tendo essa impressão até hoje. Quem disse que só um namorado pode ser sua alma gêmea? Sei que ela me completa de muitas formas. É a minha parte louca, engraçada e expansiva. Minha metade criativa e talentosa. Minha versão corajosa, que acredita que tudo é possível e que não tem receio de demonstrar o que sente. É o que eu sou e o que eu gostaria de ser.

É a minha parte que está fazendo aniversário hoje. Um domingo comum, mas especial. Bem apropriado para uma pessoa comum, mas especial, como ela. Natasha, parabéns.


Por Lady Sith às [14:02]

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[21.1.06]

[Notas de uma extraterrestre em Portugal]


Ou anotações, observações e impressões sobre esta terra estranha com gente esquisita que chama ônibus de autocarro e tela de ecrã.

Eu já passei dois meses "morando" em Portugal. Isso aconteceu em 2004. Foi uma experiência muito boa: tive que me virar sozinha para fazer as coisas que queria, fiz amigos em um lugar onde ninguém me conhecia e participei de algumas aventuras, ou seja, me meti em algumas roubadas (se bem que nem foram tão "roubadas" porque acabaram dando certo. Qualquer dia conto elas por aqui). Outra coisa que fiz durante esses dois meses foi reparar nos costumes deste povo tão parecido com a gente (afinal, falamos a mesma língua e eles nos colonizaram), mas ao mesmo tempo tão diferente. A seguir, uma série de observações desta que vos escreve:


Por Lady Sith às [11:25]

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[18.1.06]

[Um céu estrelado]


Acredito que a maioria dos indivíduos que possui e-mail já deve ter recebido um texto que fala sobre os dois tipos de pessoas que passam pela sua vida: as estrelas e as cometas. A pessoa-cometa é aquela que tem uma existência fugaz, é bela e tem um brilho intenso enquanto está passando, mas é incapaz de continuar a irradiá-lo quando se vai. Já as estrelas são aquelas que, mesmo que convivam pouco tempo conosco, são muito marcantes em nossas vidas e continuam brilhando por vários anos, não importando a distância em que se encontram.

Nesses tempos de sites de relacionamentos onde cada um de nós coleciona (essa é a palavra correta) centenas de "amigos", torna-se muito mais importante parar um tempo para pensar quem são seus cometas e suas estrelas. Muitos cometas já passaram pela minha vida. Não foram fugazes e nem tiveram brilho intenso, eram apenas pessoas que em algum momento fizeram parte do meu círculo social. Gente com quem eu conversava, estudava ou trabalhava. Agora que elas passaram, percebo que não fazem muita falta. De muitas delas eu nem lembro o nome. Posso passar por elas na rua e não as reconhecer. Não tenho curiosidade em saber onde estão, o que estarão fazendo, nada. Sei que pode parecer cruel falar dessa forma, mas não me levem a mal. Mesmo que essas pessoas não signifiquem nada para mim, elas são estrelas no céu de um outro alguém, como diria Eddie Vedder.

Esse tipo de cometa é muito fácil de reconhecer. Difícil é atribuir esse rótulo para pessoas que foram muito importantes para você em determinada época. Quantos melhores amigos você teve da sua infância até hoje? Quantas vezes você jurou amizade eterna e verdadeira para outra pessoa? Agora eu lhe pergunto, quantas dessas amizades foram verdadeiras e eternas e quantos desses melhores amigos ainda o são atualmente? Eu tive duas grandes amigas na infância. Elas me eram muito queridas e foi terrível quando tiveram que se afastar de mim. Hoje percebo que elas não passaram de cometas. Não tenho grandes lembranças delas ou recordações dos momentos que passamos juntas, não tenho saudades de quando éramos amigas e nem lembro qual foi o momento exato em que percebi que elas não tinham para mim a enorme importância que dava a elas quando criança.

Já as minhas estrelas foram e continuam sendo muito importantes. Algumas surgiram de amizades improváveis, de convivências difíceis e de felizes coincidências. Outras pareciam destinadas a se tornar cometas, mas conseguiram deixar sua marca indelével. E outras habitam o meu céu há tanto tempo que não consigo determinar exatamente quando foi que elas surgiram. Tenho estrelas que passaram pouco tempo comigo e que agora estão a anos-luz de distância, mas que por possuir um brilho tão forte ainda conseguem me aquecer e me trazer alegria. Tenho outras que são tão antigas e estavam sempre tão próximas de mim que ainda é difícil aceitar que não posso estar junto delas todo dia. Mas essas já são tão importantes na minha galáxia que nem todo o tempo e distância conseguirão apagá-las. Tenho uma estrela que parecia um cometa e sempre me encantava com suas rápidas aparições, mas o acaso se ocupou em transformar em eterno e especial aquele brilho fugaz que ela irradiava. E tenho várias estreas-guias que acompanham meus passos aonde quer que eu vá.

Estrelas do meu céu, vocês são as coisas mais importantes da minha vida.


Por Lady Sith às [16:18]

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[11.1.06]

[24 horas no ar]


A Rede Globo arruinou as minhas férias de janeiro. Nem o fato de ter de trabalhar durante o recesso da faculdade foi capaz de fazer a mesma coisa. Por causa da toda poderosa, inicio o semestre letivo mais exausta do que quando terminei, passo o início do ano sempre cansada e dormindo em cada lugar que me encosto para compensar as horas passadas em claro acompanhando a rotina daquele grupo de pessoas... Ei, peraí, vocês não estão achando que eu estou falando do Big Brother, né? Caso tenham pensado nisso, sinto muito decepcioná-los, mas a razão do meu martírio é outro. Trata-se de um outro programa, também altamente viciante, mas de qualidade infinitamente superior: 24 Horas.

Aconteceu em 2003. Jack Bauer invadiu a minha vida arrombando a porta com uma arma em punho. Resolvi assistir ao primeiro episódio só por curiosidade, para ver do que se tratava. Pronto, foi o necessário para me tornar um telespectadora cativa. Desde então, lá estava eu todo dia batendo cartão até às 2:00 da madrugada, tendo que acordar às 6:00 no dia seguinte, (por que a Globo só passa os programas bons em horários totalmente inconvenientes?), planejando meus dias para encontrar brechas para cochilar e agüentar o tranco à noite e reaprendendo a programar o videocassete para poder continuar tendo vida social (por que os amigos só inventam de sair em horas totalmente inconvenientes? Tipo, justamente quando está passando 24 Horas?).

Para quem não conhece o seriado, vai um resumo básico. A ação se passa em tempo real, ou seja, cada minuto do programa equivale ao mesmo tempo do dia de seus personagens. O herói é Jack Bauer, um agente da Unidade Contra Terrorismo. Jack é o típico herói de ação: tem problemas com a família (na primeira temporada, havia acabado de se reconciliar com a esposa e não conseguia ter diálogo com a filha), desrespeita todas as regras e poderia enfrentar sozinho todo o exército americano que ocupa o Iraque. Com uma mão amarrada nas costas. Ele e a equipe da UCT têm que evitar atentados altamente elaborados, envolvendo terroristas impiedosos que (adivinhem) desejam acabar com o modo de vida norte-americano. Os personagens e as histórias vão sendo apresentados aos poucos, sempre dando a entender que existe uma conexão entre eles, mas sem deixar nada muito claro (o que o seqüestro da filha do Jack tem a ver com o atentado a um candidato à presidência?). Lá pelo décimo episódio, a conspiração parece ter sido solucionada, mas é aí que nós descobrimos que os terroristas tinham palnos muito maiores e que agora fedeu de vez. Acho que está aí a chave do mistério viciante de 24 Horas. A ação é initerrupta, todo episódio acaba com um gancho para o próximo, o enredo é intrigante e tem mais reviravoltas do que estômago em montanha-russa.

Mas o grande mistério que cerca esse seriado não é só a sua capacidade de arrebanhar espectadores. Depois de três temporadas (e no meio da quarta), eu me pergunto como Jack Bauer conseguiu passar por dias extremamente estressantes sem ter um ataque cardíaco ou um colapso nervoso. O homem já teve sua família seqüestrada, a mulher morta, todas as suas namoradas se tornam automaticamente alvos dos vilões, já teve que matar o próprio chefe e cortar o braço do namorado da filha com um machado, já foi viciado em drogas e trabalha em um lugar onde ninguém é totalmente confiável. Tudo isso tendo que passar 24 horas sem dormir, comer ou tomar um bom banho. Se eu passar uma noite em claro em algum show (ou porque estava acompanhando as aventuras do Jack), no dia seguinte estou imprestável, não tenho energia para mais nada. Já ele passa por tudo isso e está sempre pronto para outra. Como é que ele consegue?

Jack, conta aí qual é o segredo para agüentar o tranco



Por Lady Sith às [08:40]

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[5.1.06]

[Para garotos]


Não há nada mais previsível no cinema do que os filmes de ação, também conhecidos como "filmes pra macho"... peraí, já li algo parecido em algum lugar. Ah, foi exatamente desta forma que o texto passado começou. Isso acontece porque os filmes de ação são os equivalentes com testosterona das comédias românticas. Assim como as últimas, eles têm roteiro previsível, são capazes de atrair multidões aos cinemas e os espectadores sabem que, por mais que as coisas estejam dando errado, tudo vai terminar bem. Além disso, são a oportunidade perfeita para desligar o cérebro por vários minutos e se deliciar com explosões e frases de efeito regadas a baldes de pipoca.

Quando eu era uma adolescente metida a intelectual, detestava os filmes de ação. Dizia que eram o mais puro lixo do cinema americano, que as situações eram absurdas, que os enredos eram ridículos, que tinham buracos no roteiro e péssimos atores. Isso mudou quando assisti a Duro de Matar. Neste dia, que eu costumo chamar de dia da revelação, eu aprendi a deixar de me preocupar com a profundidade dos filmes e amar películas como Triplo X (isso mesmo, eu gostei de Triplo X e não tenho vergonha de admitir). Por isso eu me considero qualificada a dizer que filme de ação bom mesmo é aquele que segue a cartilha abaixo:
  • Os mocinhos: existem três tipos de heróis de filmes de ação. Primeiro, ele é o famoso "exécito de um homem só", ou seja, pode enfrentar sozinho milhares de inimigos. Este é um tipo atormentado, com algum problema no passado geralmente relacionado à família. Se ele tiver perdido a esposa, os filhos, o pai ou o amigo do primo da namorada do seu irmão, pode ter certeza de que irá vingar a morte de seu parente (ou quase parente). Segundo, eles são parceiros (policiais de Los Angeles ou Nova York) que inicialmente se dão mal e têm personalidades opostas. Um é maluco, engraçado, mulherengo e não gosta de seguir regras. O outro é casado (e pode ter algum problema na família) e seguidor fiel das regras. As duplas são compostas por um branco e um negro (ou asiático, ou italiano, ou um membro de qualquer outra etnia). Terceiro, uma equipe composta por pessoas bastante diferentes (lógico) devendo ter o fodão (traduzindo: aquele que destrói tudo que vê pela frente enquanto profere frases de efeito. É o personagem principal), o engraçado, o garanhão e uma mulher linda, sedutora e inteligente.
  • Os bandidos: antes da queda do Muro de Berlim, os vilões eram comunistas que queriam acabar com o modo de vida norte-americano. Como essa agora é uma raça em extinção, foram substituídos por gangues criminosas do leste europeu (traficantes de drogas, de armas ou qualquer espécie de contrabandistas) ou, como está em voga atualmente, por terroristas árabes que querem acabar com o modo de vida norte-americano. O que devemos saber sobre o vilão é que ele será interpretado por um ator com forte sotaque britânico, não importa qual a sua nacionalidade no filme.
  • A trama: é a mais básica possível. O herói deve evitar que o vilão conclua um esquema grandioso que envolve a dominação do mundo ou, pelo menos, coloque grande parte da população em perigo. Como as tramas devem ser um pouco rocambolescas para justificar o salário do roteirista, o mocinho geralmente descobre que o vilão que ele perseguia inicialmente é um mero aprendiz de malvado e testa de ferro para alguém muito pior (mas que também possui sotaque britânico).
  • As mulheres: as mulheres têm quatro funções básicas nessa espécie de filmes: usar pouca ou nenhuma roupa, servir de interesse romântico do protagonista, se meter em situações perigosas e se esgoelar até ser salva e morrer. Se a mesma mulher realizar todas as quatro funções, melhor.
  • As cenas de ação: como elas dão nome ao gênero (e justificam o orçamento do filme), devem ser caprichadas e, de preferência, totalmente inverossímeis. Aí somos brindados com lutadores malabaristas, carros que explodem sem nenhum motivo, perseguições que destroem metade da cidade, tiroteios, etc, etc. Aí surgem outras regras importantes desse tipo de filme: os vilões possuem uma péssima mira (cem deles atiram e não conseguem acertar nos heróis) e os mocinhos nunca se machucam, sofrem, no máximo, leves cortes (muito mal feitos pela maquiagem, vale ressaltar).
  • A explicação final: os produtores desse tipo de filme parecem saber o efeito que eles causam na audiência. Depois de duas horas de explosões e reviravoltas, seu cérebro já está anestesiado e é muito difícil entender as motivações e os planos dos vilões. Por isso, ele deve aprisionar o personagem principal e explicar tudo tin tin por tin tin antes de matá-lo. Depois de tudo explicado, o mocinho (que durante a explicação estava maquinando um modo de eliminar o vilão) mata o malvado e tudo acaba bem. Os personagens se reúnem em uma confraternização bem-humorada e o público vai para casa satisfeito.

Duro de Matar fez de mim uma pessoa melhor



Por Lady Sith às [17:15]

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