[29.5.06]

[Diário de uma paixão]


“Querido Diário,
Já está um pouco tarde, mas tive que vir correndo te contar as novidades. Acabei de voltar da festa de aniversário da minha melhor amiga, a Ceça. Para comemorar, ela fez um super bailinho na garagem, com direito a lona no portão e papel celofane colado na luz para dar aquele clima de danceteria. Estava super chique, viu. A festa foi muito animada, tinha muito comida boa (as coxinhas estavam deliciosas), músicas legais e todos os nossos amigos. Dancei todas as músicas da Ivete, depois começou a tocar uma sessão de Fábio Jr. (ai, ai) e eu fiquei lá sentada esperando algum garoto ter coragem de me chamar para dançar. Quando começou a tocar Alma Gêmea, eu percebi um garoto vindo na minha direção. Ele me tirou para dançar e enquanto estávamos no meio do salão, parecia que o tempo tinha parado e estávamos só nós dois lá. Não o conhecia, mas agora sei que ele é um primo da Ceça e se chama Osvaldo. Acho que foi paixão à primeira vista e tenho certeza que ele também tem uma quedinha por mim. Assim eu espero. Beijos da sua Bianca Catarina”.

10 de julho de 2005.

“Diário, posso te dizer com certeza que o Osvaldo gosta mesmo de mim. Já faz uma semana que ele passa todos os dias aqui em casa para ficar conversando comigo e com a Ceça no portão. E todo dia ele me traz um presente: já ganhei sonho da padaria, paninhos para colocar sobre minha mesa de cabeceira e um enfeite de biscuit. Eu retribuí e fiz uns bolinhos de chuva para ele, além de ter mandado para a mãe dele alguns sabonetes que eu faço. Ele disse que eu sou a garota mais prendada e mimosa que ele já conheceu! O Osvaldo é um garoto de ouro: fez curso técnico de informática (mexe com computador, vê que importante), trabalha para ajudar em casa e economizar dinheiro para a faculdade e ajuda a criar os irmãos mais novos. Não parece nada com aqueles filhos da Dona Carminha que só querem saber de vadiagem. Ele prometeu continuar a vir me cortejar todos os dias”.

22 de julho de 2005.

“Ai, que raiva do Osvaldo. Ele disse que viria me ver todos os dias e sempre avisaria quando não pudesse passar em casa. Acredita que ontem ele não deu as caras aqui e não me disse nada? Isso não seria um grande problema se eu não ficasse sabendo porque ele deixou de vir me ver. A Maria das Dores, minha amiga, disse que viu ele passeando de mãos dadas com uma lambisgóia pelo bairro a altas horas da noite! Aposto que foi com a perua da Kelly Christina lá da rua de baixo. Sei bem que ela é uma garota de vida fácil, aquelas unhas pintadas de vermelho nunca me enganaram. E ele ainda veio dizer que era mentira da Das Dores, como se ela tivesse coragem de mentir para mim. Os homens são todos iguais!”.

“Não acredito que fui tão injusta com o Osvaldo! Não é que a Das Dores mentiu para mim porque estava com inveja? Queria me fazer brigar com o Osvaldo para poder roubar ele de mim, a sirigaita. Ele passou aqui em casa agora de tarde junto com a Dona Francisquinha que me disse que ele só não veio ontem porque estava acompanhando ela da parada de ônibus até em casa. O caminho é muito escuro e esquisito, o Osvaldo se recusou a deixar que ela fosse sozinha. Ele é mesmo um garoto de ouro”.

14 de agosto de 2005.

“Hoje eu e o Osvaldo fomos ao cinema. A gente teve que levar os nossos irmãozinhos porque minha mãe disse que menina direita não vai ao cinema sozinha com um garoto que não seja seu namorado. Nós vimos o filme do Zezé. Quando começou a tocar É o Amor, o Vavá (é como eu o chamo agora e ele me chama de Bibica) pegou na minha mão e me deu um beijo. Ai, foi tão lindo beijar ao som do Zezé! Pena que os pirralhos viram e eles só prometeram não contar nada para a mamãe se a gente pagasse sorvete para eles. Não vou esquecer desse dia nunca. Até guardei o ingresso do cinema e a colher do sorvete na minha caixa de pátina azul, que aprendi a fazer na Ana Maria”.

16 de agosto de 2005.

“E não é que os pestinhas quebraram a promessa? Meu pai ficou revoltado por eu ter beijado o Vavá e mandou ele vir aqui em casa para saber quais são as intenções dele comigo. Vou fazer um bolo de cenoura para ele, receita da minha finada avó, que Deus a tenha. Ela já dizia que homem se segura pelo estômago. Mulher sábia, viu?”.
.
.
.
“O Vavá me pediu em namoro! Me deu uma aliança de compromisso com o nome Osvaldo gravado. E ele tem uma igual, mas com o meu nome. Achei tão romântico. E ele adorou o meu bolo de cenoura, pediu até para levar um pratinho com um pedaço. Tomara que o guardanapo não tenha grudado na cobertura de chocolate”.

* Se vocês estiver pensando "que texto louco é esse?! Não tem nada a ver com o seu estilo.", pode ficar calmo que eu explico. Ele foi originalmente escrito para participar da promoção de aniversário do Garotas que Dizem Ni. Bastava escrever um texto com temática suburbana (se bem que o meu parece mais interior do que subúrbio, mas tudo bem) para concorrer a um caderno e um kit de coisas maravilhosas para escrever da Faber Castel. O vencedor já saiu, mas nós gostamos tanto da brincadeira que resolvemos publicar os textos que não foram selecionados no Fórum. Essa foi a minha humilde contribuição.

* Gente, quando eu escrevi no post anterior que gostava de Calypso, eu não quis dizer que tenho todos os Cds e que escuto todo dia. O meu "gostar" diz respeito a imitar a Joelma cantando e só. Não precisam ficar preocupados.


Por Lady Sith às [09:03]

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[19.5.06]

[Pecado musical]


Todos têm os seus pecados musicais. Sabe aquela música que você gosta, mas tem vergonha de admitir? Aquela que você acha legal, baixou na internet e sabe cantar inteira, mas que nunca compraria o CD (ou gravaria no seu mp3 player) para escutar onde quiser? Uma música que no fundo você sabe que é ruim, que deveria detestar, mas não consegue? Aquela que você não conta para ninguém que gosta com medo de ser julgado (e condenado) por isso? A reunião de todas essas características (ou duas delas) forma um pecado musical. E eu, do alto da bobeira e falta de noção que me atinge ocasionalmente, tenho vários.

Não vou dizer que sempre tive um ótimo gosto musical - quem já gostou de Backstreet Boys e Celine Dion (ei, não jogue esse tomate!) não pode falar uma coisa dessas. No entanto, de uns tempos pra cá, a coisa degringolou de vez. Tudo começou quando eu conheci o Napster e baixei uma música chamada The Thong Song (sim, a música da calcinha fio dental, algum problema?). Desde então, não tenho mais culpa nenhuma em pegar músicas de qualidade duvidosa e me divertir a valer enquanto jogo Paciência. Na verdade, não tenho nem mesmo vergonha de admitir que gosto de certas canções. Querem saber quais são? Estão preparados mesmo? Não vão deixar de gostar de mim? Certo, aí vai:

Quem vai comprar um CD do 50 Cent pra mim?



Por Lady Sith às [15:06]

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[16.5.06]

[Engano]


Terça-feira, 09 de Maio de 2006.

Fato: não estava mais de TPM. Isso não significa, necessariamente, uma boa notícia, pois quer dizer que já estava menstruada e sofrendo com cólica, o que contribui para piorar ainda mais o meu humor. Havia chegado ao trabalho há uma meia hora e só então lembrei de tirar o celular da bolsa. Cinco chamadas não atendidas - essa terrível mania de esquecer o celular no modo silencioso dentro da bolsa. Todas elas de um mesmo número que eu não conheço. Decido ligar de volta: nunca faço isso, mas estou esperando algumas ligações importantes que virão de números que eu não conheço.

- Alô?
- Oi, meu nome é Patrícia. Estou lig...
- POR QUÊ VOCÊ NÃO PÁRA DE LIGAR PRA CÁ!?
- Er... só estou ligando porque recebi cinco chamadas e resolvi retornar para ver ser era algo importante. Mas acho que foi engano, desculpa.
- Você é que ligou pra cá!
- Já disse que não conheço esse número, nunca liguei praí. Só retornei agora por causa das chamadas não atendidas.
- A gente só ligou porque você vive telefonando pra cá!
- Olha, já te disse porquê liguei. Mas se você não acredita, não posso fazer nada. Agora dá licença porque não vou ficar gastando meu telefone com isso.

Ok, decidi deixar isso de lado e tentar ficar de bom humor. Volto ao trabalho. Alguns segundos depois, o telefone começa a vibrar. Quando vejo, o mesmo número ligando. A cobrar. "Até parece que vou ficar atendendo ligação a cobrar de uma pessoa que eu não conheço e que vai ficar me acusando de ser uma maníaca perseguidora". Ignoro, por mais que isso seja difícil pra mim - não consigo ouvir um telefone tocando, me dá nos nervos, mesmo que o toque seja apenas uma vibração da bateria. Parou. Não, voltou a tocar de novo. Um número diferente ("oba, minha ligação importante!"). A cobrar. "Essa mulher deve me achar idiota. Até parece que vou atender só porque vem de um número diferente. Como se eu não esperasse por uma coisa dessas". 15 minutos depois, o telefone continua tocando initerruptamente. Com a minha paciência já abalada, resolvo atender:

- Alô?
- Por quê você não pára de ligar pra cá!?
- Já expliquei porquê eu tinha ligado. Foi um engano. Agora, por favor, dá para parar de ligar? Estou tentando trabalhar.
- É que tem um homem que fica ligando desse número e pedindo para falar com minha amiga Lidiane.
- Bom, esse número é meu há quase um ano. Nenhum homem usa meu telefone. Nunca liguei para esse celular antes e não conheço nenhuma Lidiane. É um engano, vocês devem ter confundido os números.
- Mas é esse telefone que está registrado aqui!
- Eu já disse que não liguei. Não sou eu quem ligo para a sua amiga. Não sou homem, caso você não tenha percebido.
- Então é seu namorado quem liga! (além de desocupada, essa pessoa quer semear a discórdia).
- Ha-ha-ha, queridinha (é a manifestação irônica da minha raiva). Não é MESMO.
- COMO É QUE VOCÊ TEM CERTEZA!!? (e a maldita ainda é desaforada. Pode?).
- Dá licença, mas não vou continuar com essa conversa de gente doida.

Agora ela pára, não é possível. Sim, é possível! Ligando de novo! Vou ignorar, por mais que me custe. Quase meia hora depois, minha paciência já tinha ido pro brejo. Tive que atender o telefone. Era a cobrar, mas nem liguei:

- QUÊ!?
- Você mora onde?
- Até parece que vou dizer, né?
(Desligo. O telefone volta a tocar. De novo a cobrar).
- QUÊ!?
- Você mora onde?
- Se eu responder, você pára de ligar?
- Você mora no Ipsep?
- Não, não moro no Ipsep. Nunca passei pelo Ipsep. Não sei nem onde fica o Ipsep e não quero saber (as duas últimas frases são mentiras). PÁRA DE ME TELEFONAR!!
(Mais 15 minutos de telefone tocando. Que tortura! Vou atender de novo.)
- PELAMORDEDEUS! Você não tem mais nada para fazer da vida, não?
- Você não é mesmo do Ipsep?
- Isso só pode ser pegadinha, não é possível! Não, não sou do Ipsep.
- O homem que liga pra minha amiga é daqui do Ipsep.
- Problema seu! Problema da sua amiga! Não tenho nada a ver com isso e não vou mais gastar meu telefone. Tchau! Vai encher o saco de outro.
(Telefone tocando de novo).
- Por favor, já te pedi para parar de ligar.
- É... só liguei pra avisar que liguei pro número errado...

Depois reclamam que eu sou grossa. Dá para ter paciência com uma pessoa dessas?


Por Lady Sith às [12:11]

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[8.5.06]

[Mau Humor]


Às vezes eu acordo de mau humor sem nenhuma razão. Simplesmente levanto com o pé esquerdo, de ovo virado mesmo. Tenho a plena consciência de que fico intratável quando acordo assim. E me detesto nesses dias.

Sei que saio por aí de cara feia. Quando vejo algo (ou alguém) de que não gosto, pode ter certeza que a minha inconfundível expressão de desprezo estará estampada no meu rosto. E sei também que terei que aturar olhares constrangidos ou de desaprovação dirigidos a mim. Sinto muito, mas é algo que eu não consigo controlar. Posso até ser simpática, falar como se nada estivesse acontecendo, mas a cara feia ainda estará lá, fazendo questão de lembrar que hoje será um dia mal humorado.

Outra coisa praticamente incontrolável nesses dias é a minha tendência à grosseria. Sim, eu sou adepta da máxima “pergunta idiota, resposta cretina”, mas em dias normais eu consigo disfarçar bem e não ofender ninguém. No entanto, num dia mal humorado parece que eu perco a noção de coisas que não devem ser feitas em prol de uma boa convivência. Tudo o que penso sai pela minha boca sem que eu consiga impedir. Quando percebo, já foi. Então piadinhas ridículas de pessoas que se acham engraçadinhas merecem tolerância zero. Exemplo: trabalho em um lugar onde quem controla a temperatura do ar condicionado só pode estar fazendo experiências sádicas de congelamento de humanos. Tenho que dar uma saída, mas não tenho saco de tirar o casaco. Um chato de galochas me vê de casaco no sol (fato que durou dez segundos): “o frio aí fora está igual ao da Sibéria, né?” (ha-ha-ha). “Não, mas qualquer imbecil percebe que o frio está aí dentro e não precisa perguntar”. Sei que foi grosso, mas saiu sem que eu notasse.

Nesses dias eu só preciso que as pessoas me deixem ficar curtindo meu mau humor em silêncio ou que, pelo menos, falem de assuntos agradáveis e interessantes. Mas não adianta, todos parecem achar que têm que falar o tempo todo, mesmo que sejam assuntos que me desagradam e sobre os quais eu já esteja cansada de falar. Ou ainda acham que têm que me fazer rir e ver como a vida é bela e como outras pessoas têm muito mais razão do que eu para serem mal humoradas, mas estão alegres. Sinto afirmar que não surte efeito. Quando estou de mau humor, acho que meus problemas são maiores do que são na realidade e saber que existem pessoas muito mais lascadas do que eu não me deixa nem um pouquinho mais feliz. Não tem jeito, ninguém coopera, nada ajuda. Só me resta ter calma, respirar fundo e esperar que esse dia passe logo.

Anotação mental 1: perguntar à ginecologista se existe algum bom remédio contra a TPM.
Anotação mental 2: não escrever nada quando estiver de TPM (ou quando acordar de ovo virado).


Por Lady Sith às [14:59]

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